Motivação
Vamos começar refletindo no que é comportamento?
Todo comportamento é caracterizado por uma AÇÃO, seja ela qual for. Dificilmente paramos para pensar que: Comer, Falar, Bater o Ponto é um comportamento.
Enfim, tudo que fazemos são comportamentos. Daí pode concluir que trabalhar é um comportamento, da mesma forma que cada uma das coisas que fazemos ao desempenhar nossas funções.
Acontece, porém, que todo comportamento é orientado por um OBJETIVO. Em outras palavras, nosso comportamento normalmente depende do desejo de atingir um objetivo. Mas esse objetivo nem sempre é consciente para as pessoas. Quem de nós nunca se perguntou: “Como é que eu fui fazer isto?” Freud foi o primeiro a reconhecer a importância da chamada MOTIVAÇÃO INCONSCIENTE, verificando que nem sempre estamos cientes de tudo que desejamos.
A unidade básica do comportamento é a atividade. Ou seja, um comportamento normalmente é composto por uma série de atividades. Assim sendo, por que as pessoas mudam de atividade? Por que, às vezes, deixamos de fazer uma coisa e passamos a fazer outras? Para compreender isto, precisamos saber quais motivos (ou necessidades) provocam determinadas atividades, ações.
Motivo à As pessoas diferem não apenas em sua capacidade, ma também em sua “vontade” ou “motivação”. Os motivos podem ser definidos como necessidades, desejos ou impulsos, no interior das pessoas, e que as levam a agir de modo a alcançar objetivos (conscientes ou inconscientes) que satisfaçam essas necessidades, desejos ou impulsos.
Não podemos confundir o termo necessidade com coisas imperiosas e inadiáveis. Necessidade significa apenas algo dentro das pessoas que as levam a agir.
Objetivo à Os objetivos estão fora do indivíduo. Podem ser vistos como “prêmios” esperados, para os quais os motivos se dirigem. Não podemos confundir objetivos com incentivos. Incentivos são normalmente vistos como prêmios tangíveis ligados a dinheiro. Mas precisamos reconhecer que há muitos outros prêmios “intangíveis”, como elogio, reconhecimento ou mesmo certos poderes, que são igualmente importantes para despertar comportamentos.
Para que uma pessoa esteja motivada, é preciso criar um ambiente no qual existam objetivos adequados e disponíveis, que possam satisfazer as “necessidades” das pessoas.
Força dos Motivos
Evidentemente, todas as pessoas possuem inúmeras necessidades, todas elas competindo pelo comportamento, pois só podemos fazer uma coisa de cada vez. Obviamente nem todas as necessidades possuem a mesma força. Então, a necessidade que determinará o comportamento será aquela que, em dado momento, possuir a maior força. Vejamos um exemplo. Suponha que uma pessoa após um estafante dia de trabalho, chegue em casa com algumas destas necessidades: fome, sede e repouso. O que essa pessoa fará provavelmente vai depender da necessidade com maior força. Se a fome for maior irá direto para a cozinha, procurar algo para comer, porém, se o sono for maior, irá para o quarto, mesmo que acorde algumas horas mais tarde.
Frustração
Este processo, tão nosso conhecido, acontece sempre que procuramos alcançar seguidamente um objetivo que satisfaça uma determinada necessidade, porém, não o conseguimos. Acontece que a frustração não se instala nas pessoas sempre da mesma forma. Algumas tentam muitas e muitas vezes e só apresentam o fenômeno da frustração se realmente não conseguirem alcançar o objetivo desejado. Outras podem apresentar frustração logo após as primeiras tentativas mal sucedidas.
De um modo geral, quando a maioria das pessoas tentam alcançar um objetivo mas não consegue, a força da respectiva necessidade aumenta. E isto faz com que continuem tentando. Algumas tentam até conseguir, outras frustram-se e param de tentar. Nas primeiras a necessidade foi atendida, no todo ou parcialmente, nas outras a força da necessidade também diminuiu, mas em função de um bloqueio. Tanto umas quanto outras passarão agora a apresentar comportamentos gerados pelas “novas” necessidades com maior força.
Uma vez estabelecido um processo de frustração, as pessoas precisam encontrar uma forma de conviver com ela. Chama-se MECANISMO DE DEFESA o jeito que cada indivíduo adota para não sucumbir às frustrações pelas quais todos nós passamos.
Existem diversos tipos de MECANISMOS DE DEFESA (este nome porque as pessoas procuram, através deles, “defenderem-se” dos efeitos desagradáveis provocados pelas frustrações), alguns dos quais citaremos a seguir:
Agressão à por exemplo, dar um soco na mesa ao ver que algo não saiu como “queria”;
Regressão à por exemplo, chorar quando não conseguiu autorização para sair mais cedo;
Fixação à por exemplo, não aceitar o treinamento em um novo metodo de produção, mais rápido e econômico, por não ter sido promovido;
Apatia à por exemplo, fazer apenas o mínimo indispensável para não perder o emprego, julgando estar mau aproveitado em seu cargo;
Racionalização à por exemplo, inventar uma desculpa semelhante a que inventou a raposa quando percebeu que não conseguiria alcançar as uvas – “Ainda estão verdes!”
Conclusões:
- Para manter uma pessoa motivada no trabalho, basta associar o resultado de suas tarefas com a obtenção de um objetivo coerente com suas necessidades naquele momento;
- O grande erro de muitos chefes é apresentar objetivos que atendem suas próprias necessidades e não as de seus subordinados;
- Para ser um bom chefe é preciso não apenas saber reconhecer as necessidades que estão por trás dos comportamentos de seus subordinados, mas também manter-se atento às mudanças, que certamente ocorrerão com o tempo, nas necessidades desses subordinados;
- É impossível motivar uma pessoa. O que podemos fazer é promover situações motivadoras, oferecendo objetivos adequados às necessidades das pessoas, que sejam conseguidos como resultado de tarefas bem feitas.
Frase: Procurar conhecer cada companheiro de trabalho e estabelecer relacionamento com todos. Desfazer, nos intervalos, a má impressão que sua atitude possa ter causado durante uma discussão. Avaliar sempre a repercussão que sua participação causa nos demais membros do grupo.
Celso Cruz
