Sabedoria
Atualmente excutamos muito falar de excelência no atendimento, excelência de qualidade, excelência profissional. Para as pessoas que escolheram o caminho cristão, o que vem a ser a Excelência Espiritual.
Em provérbios 8 há reflexões sobre a excelência da sabedoria:
“No cume das alturas, junto ao caminho, nas encruzilhadas das veredas ela se coloca; junto às portas, à entrada da cidade, à entrada das portas está gritando…” (2 e 3).
Aqui podemos perceber que a sabedoria está nas “alturas”, está nos locais altos. Se fizermos uma analogia de locais altos com montanhas, vamos entender que a sabedoria está onde podemos enxergar mais longe, onde se vê os vales e a amplitude da criação. Vamos fazer referencia ao ser humano, o que seria enxergar-lo em sua amplitude? É não vê-lo apenas nas suas dificuldades, transtornos e conflitos. É poder observá-lo por completo, não o rotulando ou estereotipando um comportamento, mas compreender quem ele é de forma aberta, com suas dificuldades e seus potenciais. Esta é uma grande falha que temos, acabamos sempre escolhendo um comportamento do outro para definirmos quem ele é. Se é alegre, triste, sofrido ou espontâneo, ele sempre terá que nos mostrar estas qualidades. Quando a pessoa alegre aparece triste logo nós repreendemos o seu comportamento: “você é uma pessoa tão alegre, não pode ficar assim”. Nós tiramos do outro a oportunidade dele vivenciar o que está sentindo. Acaba que a pessoa alegre reprime seus sentimentos, dissimulando-o, e perdendo o significado da existência presente, do poder se sentir triste para elaborar algum conflito interno ou externo.
Cristo deixou claro para nós que para encontrarmos a VERDADE temos que primeiro encontrarmos a LIBERDADE. Uma anda do lado da outra. Sendo livre podemos aprender com nós mesmo, aprender com o outro e aprender com o espírito. A liberdade nos fornece a oportunidade de escolha. O livre arbítrio é o direito universal dos seres humanos que Deus nos concedeu, o direito de escolha e de sermos quem nós somos. Mas sempre nos perdemos nas exigências do ambiente, da família, da igreja, da comunidade, da sociedade, da cultura, e não mais nos damos à oportunidade de construirmos o nosso caminho. Cristo foi o ser humano mais livre que já pude acompanhar, ele foi contra as demandas sociais e culturais da época. Ele protegeu a Maria Madelena de ser apedrejada fazendo uma pergunta: se existia alguma pessoa naquele local que não tinha nenhum pecado dissesse naquele momento. Se vocês não têm falhas atirem suas criticas, suas pedras. Ele poderia seguir o senso comum e também apedrejar aquela mulher, mas ele era livre para fazer suas escolhas e compreender o que era realmente VERDADEIRO, o que realmente estava por traz dos comportamentos daquele povo. Quando nós julgamos alguém tiramos à oportunidade de revelação, da pessoa poder se mostrar como ela é de verdade, por inteiro. Não precisando rir se está com vontade de chorar, de chorar se está com vontade de gargalhar.
Outro fator importante de estar nas “alturas” é a vivencia mais próxima de Deus, com sua videncialidade, aprendendo a viver sem tempo e nem espaço, não tendo vida cronológica, sem infância e velhice, sem manhã, tarde ou noite. Sem distância, sem forma e nem perspectiva, há um lugar e ao mesmo tempo todos os lugares. Esta vivencia significativa e transformadora se apresenta nos momentos de envolvimento com Deus, de intimidade com Ele. Um encontro luminoso e transpessoal que leva a nossa alma a transcender a esfera natural, humana, e a eleva a uma nova realidade.
Ao transgredir através destes processos não podemos deixar de ser prudentes. “Entendei, ó simples, a prudência; e vós, néscios, entendei a sabedoria.” (5).
Como podemos pensar aqui sobre a prudência? Cristo ao desafiar o que era imposto em sua época, Ele foi prudente? Se pensarmos a nível social, não. Pois, Ele foi preso, foi excluído por varias vezes, foi questionado pelas suas ações, desacreditado, etc. Mas, se pensarmos no seu interior, na sua alma, Ele foi. A sua prudência estava ligada aos seus desejos, suas vontades e suas inspirações. Cristo teve a liberdade de ser quem Ele era. Por isto que Ele é o caminho, Ele é a manifestação de Deus nos mostrando o caminho do seu encontro. Cristo está vivo por Ele ter sido prudente nas suas escolhas, escolhendo o que achava ser certo, sendo prudente com suas crenças e ideais. Ele hoje é o caminho e o exemplo de como a humanidade deve-se comportar, sendo prudente com sua alma para poder elevá-la espiritualmente. Mas nós muitas vezes nos prostituímos, nos deixamos levar por ideais que não entram em acordo com as nossas, por comodidade, senso comum, facilidade. Entramos em movimento de massa onde não compreendemos o que estamos fazendo e sempre colocamos a culpa no outro. Com isto surgem os preconceitos, rótulos, comportamentos inadequados, violências, opressão.
Então, a prudência deve ser interna, para podermos nos transformar e mudar o que há externamente. Mas sempre com orientação divina. Aqui, não quero que seguimos apenas nossos instintos humanos, mas também, os instintos espirituais que vem através do conhecimento e da intuição divina.
“Todas (palavras) são retas para quem as entende e justas, para os que acham o conhecimento” (9).
Para que encontremos a intuição divina temos que buscar o conhecimento sobre todas as coisas e principalmente sobre a espiritualidade. Não há inspiração sem expiração. Sem esforçarmos para que ela aconteça em nossa consciência e traz consigo seus ensinamentos. A disciplina do aprendizado constante é uma forma de incitar a aparição das experiências espirituais. Temos que servir a sabedoria para seguirmos o caminho de Deus. Este é o nosso maior desafio, para que tenhamos intimidade com Deus temos que nos disciplinarmos à sua busca.
O entendimento é o processo intuitivo, é o insight, o clarão luminoso que nos ajuda a visualizar e dar sentido às informações e aos sinais.
“Aceitei o meu ensino, e não a prata, e o conhecimento, antes do que o ouro escolhido” (10). “Porque melhor é a sabedoria do que jóias, e de tudo o que se deseja nada se pode comparar com ela” (11).
Nós acabamos presos no consumismo, na idéia de quem tem muitos bens materiais é afortunado em todas as esferas. Mas isto é um engano. Todos têm o direito à verdade, a busca e a lapidação que faz nos colocarmos no caminho iluminado. Os bens matérias podem interferir quando eles forem maiores, tiver mais poder em nossas vidas do que o ensinamento, o conhecimento. A iluminação não vem através do Ter e, sim, do Ser.
Por estarmos envolvidos numa sociedade superficial que exclui, queremos possuir para fazermos parte do que ela valoriza. O que vemos diariamente são propagandas dizendo que se você tiver isto ou aquilo sua vida será melhor e mais feliz. Os bens materiais não preenchem o vazio que carregamos, mas nos tornam viciados em possuir algo e sempre querendo mais. Compramos compulsivamente para aliviar os nossos conflitos, mas com isto apenas danificamos mais nossas almas. O que é necessário é enfrentarmos estes conflitos, conhecendo-os e fornecendo oportunidade de transformá-los. Fazer o inverso que estamos acomodados, aprofundarmos em nossa intimidade e dar o direito de manifestar nosso sofrimento e dor. Dar a luz à escuridão.
“O temor do Senhor consiste em aborrecer o mal; a soberba, a arrogância, o mau caminho e a boca perversa, eu os aborreço” (13).
“Riquezas e honra estão comigo, bens duráveis e justiça” (18).
A maior riqueza que se pode ter é a sabedoria. É através dela que compreendemos o nosso sofrimento, confusões e angustias. Ela traz o entendimento através do conhecimento.
“Anda pelo caminho da justiça, no meio das veredas do juízo, para dotar de bens os que me amam e lhes encher os tesouros” (20 e 21).
Deixa bastante claro, a sabedoria divina enchera os tesouros, dará significados e sentidos para os mesmos. Quantos tesouros nós temos e não sabemos o seu valor. Nossos talentos, habilidades, conhecimentos, são tesouros e muitas vezes não sabemos usá-los.
Então o tesouro não é material, eles são da alma. São as nossas possibilidades e potencialidades. Os bens vêm com o bom uso de nossos tesouros.
Em Lucas 8, na “A parábola da candeia”, diz:
“Nada há oculto, que não haja de manifestar-se, nem escondido, que não venha a ser conhecido e revelado” (17).
Nós temos três formas para a iluminação:
1 – Quando nós somos absorvidos pelo inconsciente e pela espiritualidade (Psicóticos);
2 – O enfrentamento dos nossos complexos (Neuróticos);
3 – Quando temos uma dinâmica psíquica reta e verdadeira, quando somos livres e seguimos harmonicamente o caminho da iluminação (Pessoas Santas).
O mais comum de acontecer é o ponto 2, quando enfrentamos os nossos complexos: complexo de inferioridade, superioridade, materno, paterno, sexual, viciosos, etc.
O aperfeiçoamento de nossa alma vem através do conhecimento (conscientização), enfrentamento e transformação destes complexos. Trazer o que está na Sombra, que está subterrâneo da nossa psique para a luz. Os nossos complexos constelados na Sombra manifestam-se interferindo no nosso comportamento, motivações e escolhas. Quando oportunizamos a apresentação destas imagens sombrias tornamos as mesmas conscientes e iluminadas pela nossa compreensão.
Então, para podermos enfrentar nossas dificuldades temos que manifestar a nós mesmos, revelando o seu ensinamento. Sendo prudente no que tem para nos ensinar:
“Vede, pois, como ouvis; porque ao que tiver, se lhe dará; e ao que não tiver, até aquilo que julga ter lhe será tirado” (Lucas 8, 18).
As ilusões de quem somos se acabaram. Tornaremos o que realmente somos. Não haverá fantasias, mas sim, a realidade, a verdade, de nossa alma, com os seus potenciais e limitações. Se for velha verá as rugas, se for nova verá a inocência.
É o processo de aprofundamento, no enfrentamento de nossos complexos, que subiremos à altura e nos relacionamos mais intimamente com Deus, com a alma limpa e batizada pelas águas abençoadas. Este é o significado do batismo nas águas, onde limpamos nossas impurezas para relacionarmos com Deus.
Deve-se sair da superficialidade, buscando um significado e sentidos profundos conosco, com o mundo e com a espiritualidade.
Quando lemos à bíblia vemos as histórias e as parábolas. Quando sentimos e enxergamos com profundeza a bíblia, vemos o conhecimento e a sabedoria.
Na parábola do semeador (Lucas 7,8) nos ensina a semear:
“… E, ao semear, uma parte caiu à beira do caminho; foi pisada, e as aves do céu a comeram.
Outra caiu sobre a pedra; e, tendo crescido, secou por falta de umidade.
Outra caiu no meio dos espinhos; e estes, ao crescerem com ela, a sufocaram.
Outra, afinal, caiu em boa terra; cresceu e produziu a cento por um. Dizendo isto clamou: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça” (5, 6, 7, 8).
Quando encontrar o caminho terá seguidores. Aprenda a semear e dar bons frutos. Para isto é importante compreender: “… A vós outros é dado conhecer os mistérios do reino de Deus; aos demais, fala-se por parábolas, para que, vendo, não vejam; e, ouvindo, não entendam” (Lucas 7, 8. 10).
A semente é a palavra de Deus, e nós devemos ser iniciados para podermos ouvir e compreender as parábolas pelas quais Deus nos escreve. Vem através da Bíblia, dos sinais, dos sonhos, dos pensamentos e dos sentidos.
O processo de iniciação vem através da água, da limpeza da alma no enfrentamento dos nossos complexos e a conscientização de nossas imagens sombrias.
Nascer novamente para a nova vida, com uma visão espiritual.
Celso Cruz
Grupo Apoema

