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18
nov
admin

Poesia deste dia

 

Madeira para construir a indignação

Sacos e sacos de lixo tóxico

Água limpa da privada

Priva peixe de nadar

 

Voa em nuvens negras

Os pássaros da tarde

Com saudade as penas caem

No toco da árvore

 

As crianças no quintal sem grama

De baixo da chuva ácida

Brincam com a granada

Deixada na noite passada

 

Mamãe no shopping traz presente

Roupa nova para velha humanidade

Quem quiser, está tudo em promoção

Queima de estoque. Viva ilusão!

 

A última tecnologia de abrir garrafas

Ajuda o alcoólatra tremulo

A última tecnologia medicamentosa

Ajuda a pessoa vazia

 

Foi tanta história que não me lembro

Como o herói Zumbi…

Que não pôde ser herói, pois era negro

Ou todos os índios

 

E melhor de tudo, a covardia branca

Aquela que está na boca do Papa

No bigode diplomata

Ou na musica de vanguarda

 

Na Floresta Amazônica se escraviza crianças

Mata bicho e faz de refém o Planeta Terra

E dizem que existe Lei Brasileira

A ironia da hipocrisia

 

Tudo isto tem haver com o tempo e o espoco

O Aqui-Agora mostra o fenômeno

Da Abobada Celeste na escuridão

O foco é o desenvolvimento empresarial

 

Como os Titãs - gigantes acéfalos

Caminha a vida empresarial

Empreendimento com retorno garantido

Todos gostam que venha enlatado

 

Na agricultura já se tem o milho, a cenoura e o pepino

Com o bom uso do agrotóxico se faz milagres

Borrifa o liquido milagroso e faz o quiabo

Todos gigantes do tamanho da bunda do mundo

 

As vacas produzem leite instantâneo

As crianças diarréia em pó

Praticidade na terra da superficialidade

Adeus para Deus e os seus sacrifícios

 

Vamos!!! Juntem forças para construírem o imenso abismo

O novo símbolo da humanidade

Do crescimento e aperfeiçoamento

A realização do sonho de ser grande

 

Freud poderia explicar

Jung dar risadas

Moreno um bom drama

Skinner controlar

 

Mas não adiantaria

O herói com o seu desafio que o leva ao céu

A nova Torre de Babel

De várias línguas e vários cheiros

 

Somatizaremos nossos sonhos

Nossas dores e amores

Nossas palavras e odores

Assim, teremos energia

 

Colocaremos para fora nossa alma

Seca, surda e vesga

Sem luz, sem cor e sem alegria

Imitando a atriz da novela

 

Quando criança tive um sonho

Acordei cedo para ir à janela

Para pedir a Deus um pouco de amor

A humanidade que cai em suas lágrimas.

 

 

 Celso Cruz

 

Grupo Apoema



Autor:
admin
Data:
terça-feira, novembro 18th, 2008 ás 11:34
Categoria:
Obras e Autores
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