Esta poesia foi escrita em dedicação a uma paciente que sofre do Transtorno de Borderline.
Abandono da Alma
Fria água que escorre na pele negra ou branca
Pálido olhar de dia nublado sem chuva
No espelho do lado um fantasma sem palavra
O segredo guardado não passa de uma mentira
Quantas crianças ficaram surdas na televisão
Quantas notícias deram nesta última reunião
Dia de quarta-feira sem samba, sem prosa, sem nada
Os míopes, frágeis e débeis que sobraram
Repedidas vezes estuprada, assassinada e invadida
Com a busca de uma mão firme que me segure e não sangre
Espancada aos domingos de futebol
Vi o pai cair em um suspiro em seu dia de despedida
A pergunta que gira na mente vazia:
“Por que estou viva?”
A lágrima sempre mistura com o vermelho
E escorre no ralo da torneira
Parece que sempre que me corto eu me lembro
É como se o ar voltasse para dentro
E escuto o coração batendo
Como um relógio esperando amanhecer
Quando criança me escondia na árvore de frente a casa
Onde nasci, vive e morri
Hoje me escondo nos remédios e no tédio
Não sou mais mulher e nem homem
Sou personagem de um filme de terror
Onde minhas lembranças surrupiam as noites
As sombras que me perseguem
Até o suicídio de um corte na ferida
Há uma bola escura em meu peito
Ela me tira o ar, a luz e o dia
Nas crises que encontro a solidão
Coração sem pai e sem mãe
O irmão que me lembro abusava de meu ventre
E a saudade que eu tenho daquilo que nunca vi
Desespero na segunda-feira. Não tenho o que fazer
E nem para onde ir. Perdida sou na neblina
A cor mais bonita é o cinza
Do pó que me forma faço o barro que transforma
Pão e vinho, mas não tem oração
Nosso Pai me traz o perdão
Minha vida em agonia
Reclamação da escuridão
A luz que ilumina, só me serve na cação
O que traz esta vida em sua limitação
A minha dor que me leve em locais vazios da imaginação
Não gosto de gente, mas sinto falta
Não quero ajuda, mas me tire daqui
Me leve embora de mim
Tantos cortes e cicatrizes
Manchas na pele
Que arde na esperança e teme em acreditar
Que possa realmente ser verdade
Gosto das músicas antigas
Aquelas de bordel
Acho… assim me vejo como puta
Presa no meu próprio motel
Com minhas fantasias bizarras
Excito-me na cama de lençóis puros e brancos
Na nostalgia daquilo que serei
Quando acabar este dia e a noite enfim envolver-me
E eu saber o que é a realidade.
Celso Cruz
Grupo Apoema


setembro 2nd, 2009 at 2:00
me sinto quase iqual a voce tem dia que tudo vai me enlouquecer parece que o mundo é so para os outros e nunca pra mim me vejo com muitos motivos para continuar viva a nao ser meus dois filhos e mesmo assim é torturante saber que tenho que viver um dia apos o outro, no fundo queria nao me sentir assim e ser como todos mas nao consigo,e isso as pessoas ao meu redor nao acreditam em mim a nao ser a minha mae.espero que isso um dia acabe e tanto pra voce como pra mim e muitos outros aja uma cura .boa noite
setembro 4th, 2009 at 17:28
Carina,
os seus sentimentos, suas emoções controlam os seus pensamentos e comportamentos. Sua história pode estar em sua memoria de uma forma traumatica e transtornada. Você pode melhorar e buscar melhor qualidade de vida.
Acredite e busque tratamento. Comece com um bom psicoterapeuta.
Celso Cruz