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            Hoje escutamos muito falar sobre relacionamento aberto, produção independente, pai solteiro, casais homossexuais, pessoas que optam a não ter relacionamentos. Isto mostra que a maneira que enxergamos o namoro e a família mudou, a cultura do envolvimento íntimo e da sexualidade está com novas características.

            Com estas mudanças culturais os relacionamentos amorosos se tornaram mais temporários, sem os vínculos de dependência que existiam anteriormente. A idéia de que as pessoas podem viver sozinhas e estabelecer ligações mais frágeis e com um ou vários parceiros, vai muito ao gosto das proposições de multiplicidade de vivências sexuais, hoje tão exaltadas como sendo o maior prazer humano. Deixando de lado as necessidades tradicionais, onde existia a “idade de casar”, “constituir família”, etc., entrando a motivação para a independência e o desenvolvimento individual.

Com um grande número de divórcios e separações na sociedade, percebe-se a dificuldade de estabelecimento matrimonias e até certa aversão ao casamento. A própria idéia de que o amor não é obrigatoriamente duradouro leva a uma tendência para a deterioração dos vínculos, de modo que a “profecia” da efemeridade acaba cumprindo-se. E quanto mais aprofundarmos os conhecimentos sobre as dificuldades conjugais, melhor poderemos compreender sua natureza.

Observando o amor como uma entidade psicológica, com o desejo de estabelecer um vínculo sólido e a construção de um modo de vida social baseado na ligação familiar, sendo uma necessidade ligada à sobrevivência e à procriação, visualiza-se o sofrimento no rompimento e na solidão.          

No consultório atendemos muitos pacientes que estão com problemas amorosos. Mulheres e homens que vivenciam conflitos que os desestabilizam emocionalmente, trazendo dificuldades em outros setores da vida, como o trabalho.

O maior número de casos clínicos são os conflitos referentes às diferenças individuais. Duas pessoas quando se unem trazem tantas diferenças que é preciso um grande poder de atração para que o encontro aconteça.  Na maioria das vezes é assim que o casamento inicia, com uma expectativa dos parceiros de realizações, alegrias e a ilusão de que “viverão felizes para sempre”. Mas, no cotidiano começa as discussões, as formas diferentes de pensar, sentir e agir.

A escolha do parceiro, invariavelmente, ocorre por experiências do passado e conteúdos instintivos (inconscientes).  Isto leva a uma falta de diferenciação, o que tem como conseqüência a suposição de que um tem o mesmo jeito do outro. Isto é, cada indivíduo projeta no outro características de sua própria personalidade, o que determina uma visão irreal do parceiro, ou seja, ele enxerga no outro características que na realidade são suas e não da pessoa com a qual se relaciona. As reais características do parceiro vão estar obscurecidas pelas expectativas e ilusões de sua imaginação.

E a percepção do outro de maneira mais real e diferenciada de si mesmo nem sempre é agradável, pois, podem aparecer no companheiro idealizado aspectos não desejados, capazes de criar conflitos e dúvidas dentro da relação. É quando a mulher se vê casada com um “sapo” e o homem com uma “bruxa”.

O afeto, a cumplicidade, a ternura e a atração se somam ao ciúme, a disputa, o ódio e não raro a traição. 

            Quando há brigas, rompimentos súbitos, desrespeitos, infidelidade, onde o casal não consegue nem ficar no mesmo local da casa por muito tempo, o relacionamento se encontrará muito desgastado. As idealizações se perderam pelo caminho, só ficaram os aspectos que cada um sempre lutou para esconder de si mesmo e que se apresentam tão claros no outro.

            Esta dificuldade leva o individuo a enfrentar a si mesmo na face do outro. Começa o abandono, a falta de atenção, as acusações que coloca o amor como algo doloroso e sofrido, representado muito bem em músicas sertanejas. Este enfrentamento traz a agressividade e, juntamente, a violência doméstica, onde a maioria das lesões, corporais e psicológicas, são nas mulheres.

            Podemos buscar um dos mandamentos da bíblia que mais admiro: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Se não há uma relação boa consigo mesmo (o amor próprio) será difícil manter uma relação saudável com o outro.

            Quando chega à separação a pessoa se torna um espelho quebrado que deve ser reconstruído através dos cuidados e reflexões das experiências vivenciadas no relacionamento, para estar mais estável e seguro para o próximo.

            A experiência amorosa está entre as mais significativas da existência humana. Quando duas pessoas se encontram, trocam olhares, se falam, namoram e resolvem viver juntas, estão na maioria das vezes apaixonadas, vivendo uma fase de encantamento e prazer. 

            O ser humano precisa do outro para se conhecer e amadurecer. Diante as diferenças de cada um, podemos reconhecer as nossas diferenças, aquilo que escondemos de nós mesmos.

            Finalmente, criar intimidade, um relacionamento envolvente, é gerar um elo, uma ligação entre o interior (psicológico e emocional) e o exterior (cultural e social), entre o passado e o presente, é propiciar proximidade e cumplicidade, um atalho possível para compreensão e conhecimento, gerando a sabedoria.

 

Celso Cruz

Grupo Apoema

Jornal Portal Nº 33. Maio/2009. Estado de Goiás.

 

 

 



Autor:
admin
Data:
sábado, abril 18th, 2009 ás 17:51
Categoria:
Clínica Apoema
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3 Comentarios para para “Relacionamentos amorosos”

  1. Edna Diz:

    Celso,
    Parabéns! Parabéns pela sua gradiosidade,pelo seu despreendimento e por transformar pensamento em ação e em resultado…
    Te acompanho de longe…Foi um prazer trabalhar com você..Precisamos de muitos Celsossss…Que Deus te proteja…Bj EDNA.

  2. Paulla Leles Diz:

    DrºCelso (Celsinho),

    Como precisava ler isto ,hoje , obrigada e parabéns pelas grandes realizações .
    Paulla Leles

  3. Celso Diz:

    Obrigado Edna e Paulla.
    Quando conhecemos e convivemos com alguém sempre fica um pouco da pessoa em nós. Podem ter certeza que todo o trabalho tem um pouco de vocês.
    Agradeço muito.

    Celso

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