Em Provérbios 23, versículo 7 diz: “Porque, como imagina em sua alma, assim ele é”. Hoje iremos falar um pouco sobre destino, sobre o caminho que devemos seguir nesta vida e que muitas vezes, por causa da confusão criada na loucura da ciência em querer encontrar respostas concretas e na incongruência da religião em colocar temores onde deveria existir liberdade, acabamos nos perdendo.

Nós estamos vivendo um período de transformações profundas em nossa alma e, conseqüentemente, na sociedade. Lidamos com fatos antes sujeitados e delegados a terceiros. Por exemplo, a conscientização de quem somos.

            Buscamos respostas em todos os lugares possíveis, do Egito até Incas, do oriente ao ocidente, na bíblia ou no alcorão e até em filmes norte-americanos buscamos um sentido para a vida, algo que nos dê significado e orientação.

            E o lugar onde podemos encontrar este sentido, encontrar a resposta de quem somos, é dentro de nós mesmos, onde é guardada toda a história da humanidade em um arquivo da memória que muitas vezes é solicitada pela consciência e apresentado nos sonhos e ilusões. Percebemos o conteúdo deste arquivo nos comportamentos repetitivos em toda a história humana, como a luta pelo poder, rituais pagãos e cristãos, diferenciações de classes sociais e muitos outros.

            Este arquivo que é chamado pela nova psicologia de arquétipo traz consigo as imagens do destino que iremos seguir. Como dizem as muitas culturas, o fardo que iremos carregar, de forma coletiva ou individual. Por isso que se torna importante o estudo da nossa história, com toda sua produção artística e de sobrevivência.

A arqueologia em suas escavações procura não só o passado do ser vivo, mas os motivos do seu presente e o seu futuro. Como a psicologia em suas terapias não busca somente o passado traumatizado das pessoas, mas a compreensão do presente e o entendimento do futuro. 

            E dentro deste processo de autoconhecimento precisamos por de lado os enquadramentos psicológicos que costumam ser usados. Eles não revelam o suficiente. Acertam a vida para encaixá-la na moldura: crescimento e desenvolvimento, passo a passo, da infância, passando pela juventude conturbada, a crise da meia-idade e da velhice, até a morte. Trilhando um mapa preestabelecido, você está num itinerário que lhe diz onde você esteve antes que você chegue lá, ou como uma estatística média prevista por um atuário numa companhia de seguros. O curso de sua vida foi descrito no tempo futuro. Ou, se não a rodovia previsível, então a “viagem” excêntrica, acumulando e espalhando incidentes sem um padrão estabelecido, listando acontecimentos para um currículo organizado apenas por critérios cronológicos: isso veio depois daquilo. Uma vida assim é uma narrativa sem enredo, focalizando uma figura central cada vez mais tediosa, “eu”, vagando no deserto de “experiências” esgotadas.

            Agora se faça a pergunta: “o que você sente que é?”. Quando criança nós temos total certeza do que somos e do que seremos. Como muitos adultos acham “bonitinho” a criança se identificar com segurança, quando crescida vêem a mesma atitude com arrogância. Quando falamos “eu sou uma pessoa inteligente e capaz de realização”, as pessoas ao redor logo já dizem: “fulano é metido, ele se acha”. E é realmente o ”se achar” o ponto importante desta nossa conversa. Quando nos achamos encontramos o nosso sentido e podemos nos orientar em nosso caminho, “porque, como imagina em sua alma, assim ele é”.

A imaginação é o caminho do autoconhecimento. É através dela que podemos caminhar entre as nossas características, potenciais e dificuldades. É a imaginação que cria a abertura para o mundo interior, onde guardamos os maiores tesouros de toda a existência. E devemos saber que o que há externamente, no mundo exterior, é somente uma cópia do que há internamente, dentro de nós. A árvore é enxergada de formas diferentes por cada pessoa que a vê. E os frutos dependerão de quem for comer para poder dar o sabor.

            Então você não é uma pessoa em um processo e nem um desenvolvimento. Você é a imagem essencial que se desenvolve. Como disse Picasso: “Eu não desenvolvo; sou”. Você nasceu com um caráter. Ele lhe é dado; é, como dizem as velhas histórias, um dom que, ao nascer, você recebe dos guardiões.

            O caráter de uma criança nós podemos perceber em suas brincadeiras, quando está com seus bonecos, ou com o grupo de criança. A postura de líder, de conciliador ou de guerreiro. Prestem atenção nos comportamentos das crianças que estão em sua volta e admirem o futuro delas.

            Busque em seu passado a sua essência, lembre como era quando criança, tente recordar.

A história da humanidade está dentro de você e é através dela que forma suas habilidades para o aperfeiçoamento de seu caráter, de suas características essenciais.

            Muitas vezes momentos de desânimo nos lançam num poço de solidão. Ventos de solidão intensa ocorrem depois de um parto, um divórcio, a morte de um companheiro de longa data. A alma se recolhe e chora sozinha. Toques de solidão acompanham até uma maravilhosa comemoração de aniversário e uma vitória. Na vitória, é importante comentarmos, que o sucesso acaba nos levando de alguma forma à solidão. Na verdade é que quando nos realizamos também nos descobrimos solitários. As conquistas nos remetem a uma condição de unanimidade, único, descobrimos que não há outro como nós. E quando conseguimos aprofundar em nossa alma e conquistamos “nós mesmos”, mais fora do eixo ficamos, mais diferente das outras pessoas ficamos, pois nos transformamos em “nós mesmos” e perdemos muito das características coletivas, aquelas doadas ou implantadas em nossa personalidade.

            E para livrarmos destes momentos de solidão inventaram os fármacos, medicamentos que servem para nos negarmos. “As pessoas não me entendem, estou me sentindo desamparada… vou ligar para o meu médico e pedir uma receita de Prozac”. A partir deste instante suas conquistas começam a se transformar em suas doenças. Todos sabem da estória do Michael Jackson, cantor pop norte-americano que fez de suas características essenciais, o cantor e o dançarino excelente, em sua doença. Pelo temor da solidão ao seguir sua imagem existencial, se medicou intensivamente para curar as dores de sua alma, que se tornou diferente de todas as outras, por ser única.

            Quando nos sentimos sós e perdidos no vale, somos ovelhas desgarradas que se afastaram da trilha da redenção, perde-se a graça e a fé e, portanto, a esperança. Já não podemos ouvir o chamado do pastor nem obedecer ao latido de seu cão que está sempre perseguindo a nossa consciência com a culpa.

            Os momentos de solidão são para nos colocarmos novamente centrados no nosso destino, é uma reflexão: “é por este “trilha” que devo seguir?” É uma parada para mergulharmos nas águas e recebermos as bênçãos.

            A benção é a percepção completa da situação que estamos. É a hora de fazer sentido, dar significado para cada situação vivenciada. “Deus não joga dados”, Albert Einstein disse. E esta afirmação nos leva a saber que não há acidentes ou coincidências na estrada que seguimos e, sim, situações que devemos vivenciar para nos encontrarmos quando estamos no vale ou acima da montanha. Pois nossa mente tem que estar livre, mas com os nossos pés no chão.

            A solidão então, nos acompanha desde pequenos e podemos senti-la até cercados por amigos ou na cama com uma amante. A solidão apresenta as emoções do exílio. E para conseguirmos sair precisamos encontrar o significado daquele momento em nossa vida, buscando a imagem que desperta no coração o desejo pelo que é espiritual, aquilo que é maior do que a nossa rotina.

            E para termos a liberdade para buscar a redenção, a realização de nossa potencialidade, temos que sair desta mentalidade de vítima.

A vítima é a outra face do herói. Em um nível mais profundo, porém, somos vítimas de nós mesmos. Nos perseguimos, criticamos, arruinamos, boicotamos… Por pensarmos que não merecemos! Você merece ser quem é, pois a sua imagem (caráter) foi dada a você, juntamente com a sua vocação, seu destino. As pessoas diferentes fazem o mundo diferente. Vire a moeda, saia deste sentimento de vitima e faça o seu projeto de vida ser realizado. Produza a sua vida com as características que lhe foi dada arquetipicamente.

            O chamado para um destino individual não é uma questão entre a ciência sem fé e a fé não-científica. A individualidade permanece uma questão para a psicologia – uma psicologia que tem em mente seu prefixo, “psique”, e sua premissa, a alma, para que sua mente possa desposar sua fé sem religião institucional e observar cuidadosamente os fenômenos sem uma ciência institucionalizada.

            Não podemos deixar que o hábito (e o ódio mascarado no hábito) turve a nossa visão. Que enxerguemos que aquilo que passamos quando éramos crianças tem a ver com encontrar um lugar no mundo para as nossas características essenciais e poder realizar-las.

            Para finalizarmos este dialogo, quero dizer que você deve parar de temer aquilo que te faz diferente das outras pessoas, pois é esta parte que vai te levar ao seu verdadeiro sentido de vida.

           

 

Celso Cruz

Gerente de Gestão da Qualidade

Neuropsicólogo de Abordagem Analista



Autor:
admin
Data:
quarta-feira, agosto 26th, 2009 ás 8:23
Categoria:
Clínica Apoema
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