Estou atendendo uma pessoa com o Transtorno de Personalidade Boderline e no processo psicoterapêutico tinha levantado uma hipótese sobre os cortes que ela fazia em seu corpo: uma maneira de ter contato consigo no momento da crise, uma maneira de sentir-se para sair da crise (fragmentação da identidade). Acho que estava errado. Nossa última sessão foi no dia 14/08 e compartilhamos um conteúdo antes não vivenciado no setting, nisto levanto outra hipótese sobre os cortes: uma forma de se purificar, pois se percebe como uma pessoa “suja”, “pecaminosa”, “imunda”, “puta” (palavras da própria paciente). Então, o corte, a autoflagelação, é como uma punição para conseguir a purificação, uma forma de diminuir a sua culpa através da dor.
Com esta nova hipótese podemos conhecer melhor o complexo constelado e o arquétipo (imagem psíquica) que está nutrindo.
Se algum terapeuta, estudioso ou pessoa que passa ou passou por este transtorno, tiver sugestão, informação e quiser compartilhar alguma coisa, estaremos aguardando.
Hoje esta paciente está tendo uma vida independente, cuida de sua casa, tem um namorado, cuida da sua mãe, faz compras, alimenta-se e ajuda outras pessoas que passam por problemas psicológicos. Sofre ainda com alguns sintomas, mas não atrapalha o cotidiano.
As doenças psicológicas têm cura. Procure um profissional qualificado.
Dr. Celso Cruz
Grupo Apoema