Cuidar do Ambiente é Cuidar de Nós

        

            A relação entre o ambiente externo e o interno sempre me chamou a atenção. E, sempre que se muda a noção de ambiente muda a nossa percepção interior. Fica cada vez mais difícil separar a psique do mundo, o sujeito do objeto, o aqui do lá. Já não há certeza se a psique está em mim ou se estou na psique como em um sonho, como se fosse o clima de uma paisagem ou os astros do cosmo. Onde termina o ambiente e começa o eu, e será possível o eu iniciar sem estar inserido em algum ambiente, profundamente envolvido, criado pela natureza do mundo?

            Com esta reflexão iniciamos outra: a responsabilidade do psicólogo é além da clínica, do individual. Ela está no social, cultural e ambiental. A transformação do coletivo para a percepção e melhoria individual.

 

            “Com a sabedoria edifica-se a casa e com a inteligência ela se firma.” (Provérbios 12).

 

            Se qualquer coisa em volta pode nutrir nossa alma alimentando a imaginação, o que está em nossa volta alimenta-se de nós, para criar-se. Então por que não admitir que o próprio ambiente tenha alma, é animado, e estamos inexplicavelmente emaranhados nele e fundamentalmente separados dele?

            A visão ecológica devolve ao ambiente também a idéia clássica de “providência” – que o mundo nos sustenta, olha por nós, e até zela por nós. O mundo também nos quer por perto. Predadores, tornados e mosquito da dengue na primavera, é apenas parte do quadro. Pense em tudo o que é delicioso e perfumado. Os pássaros só cantam um para o outro? Este planeta respira e é respirável, come e é comestível, agrada-se e é agradável, invisivelmente atendido e mantido, nos conserva por meio de seu sistema de apoio a vida. Esta seria a idéia de criação como algo que realmente promove a vida.

            O “ambiente”, então, seria imaginado bem além das condições socioeconômicas, além do cenário cultural, de modo a incluir cada item que cuida de nós todos os dias: nossos pneus e copos de café, por exemplo. Fica impossível excluir este pedaço de ambiente como irrelevante, favorecendo aquele como significativo, como se fosse possível classificar os fenômenos do mundo por ordem de importância. Importante para quem? Nossa idéia de importante precisa mudar. Em vez de “importante para mim”, pense em termos de “importante para outros aspectos do ambiente”. Este item alimenta tudo o que há nas redondezas, e não apenas a nós. Contribui ele para as intenções do campo do qual somos apenas uma parte com uma vida breve.

            A alma humana fina e insubstancial, por natureza, uma espécie de vapor, filme ou sombra… mais palpável e invisível, porém manifestando também força física. Se origina numa imagem e é concebida em forma de imagem. Esta imagem vem como um chamado para o destino.

 

            “Porventura, não te escrevi excelentes coisas acerca de conselhos e conhecimentos, para mostrar-te a certeza das palavras da verdade, a fim de que possas responder claramente aos que te enviarem?” (Provérbios 20 e 21).

 

            Aprendemos com o que há em volta e, reciprocamente, o que há em volta aprende conosco.

            O psicólogo deve aprender a compreender o meio ambiente com seus aspectos, características e sistemas. Assim, poderá encontrar-se mais fielmente com a realidade.

 

Celso Cruz

Grupo Apoema

 

 

 

 

 

 

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