O Auto-Boicote

 

Este é sem sombra de dúvidas o maior calcanhar de Aquiles da psicoterapia moderna. O auto-boicote representa a capacidade auto-destrutiva de um indivíduo que está extremamente presente em nossa sociedade.

 

Apresenta sempre na forma de várias psicopatologias, como: obesidade, tabagismo, alcoolismo, depressão com tendência suicida, síndrome de auto- mutilação, cardiopatias, transtornos de ansiedade, vícios em geral, diabetes (com tendência ao agravamento por ausência de cuidado) e em muitas outras patologias.

 

Também a observamos em comportamentos como: perda da moral, dificuldade econômica crônica, preguiça, apatia, agressividade incontrolável, dificuldade de adaptação com o meio, prostituição, libido exacerbada, …

 

Existe um aspecto que agrava o quadro da auto-mutilação (auto-boicote ou síndrome do bode expiatório) que é o prazer sentido pelo seu portador pelo desprazer, pela dificuldade gerada por situações adversas que lhe causem sofrimento. Assim surge um ganho direto com a dor, um prazer por ser maltratado e viver situações ruins. A característica principal pode ser extraída do próprio nome da patologia auto-boicote, ou seja, a pessoa não pode dar certo em nada. Assim sofre no campo físico, afetivo, intelectual e, até mesmo, no espiritual.

 

Inconscientemente existe uma atração e uma eleição de situações em que o paciente jogue-se no campo da destrutividade. Isto surge devido um complexo de inferioridade crônico ativado de forma negativa. Este complexo geralmente está arraigado na primeira infância. A criança criada no lar em que a própria criança é utilizada como fator de alívio da tensão existente “saco-de-pancada”, em que atraí sobre si a violência doméstica, apreendendo em sua criação a chamar a atenção pelo negativo.

 

A fixação negativa então vem como modelo de criação que passa a ser repetido continuamente em vários campos da vida. Um modelo arquetípico que visa a reconfiguração do lar destrutivo da infância, em forma de projeção inconsciente no meio social.

 

Em outro pólo este tipo de paciente mostra-se geralmente autoritário, arrogante, espelhando na sociedade um complexo de superioridade ativo de várias formas. Em geral seu discurso visa a inferiorização do meio em que está. Frases do tipo: “…meu caso não tem solução…”; “…você nunca teve um caso tão complicado como o meu…”. Estes são pequenos exemplos desta dinâmica que oscila entre a inferioridade e a superioridade (algo que é muito pior).

 

O problema principal é que para um tratamento o terapeuta terá de adotar um modelo patriarcal de autoridade para quebrar a estrutura do paciente. O auto-boicote e a estrutura de ansiedade deverão ser delatados no processo terapêutico. Geralmente este tipo de paciente tende, como bom neurótico, a justificar todos os seus problemas. Racionalização exacerbada impede o de mudar de atitude.

 

Não é raro encontrarmos este tipo de paciente em estrutura hipocondríaca (com mania de doenças). Esta é uma forma simbólica de sempre estar mal, ou a procura de uma patologia que justifique seu mal-estar e de chamar a atenção de forma negativa, colhendo o amor por meio de piedade social.

 

O maior problema é a mudança deste padrão de atitude inconsciente. Na verdade este é um modelo de prazer inconsciente. Como na estrutura do masoquismo, esta é uma forma de obtenção de prazer ampla. Na psicoterapia toda vez que brigamos com o prazer ficamos em desvantagem …

 

O processo devera passar quando o paciente permitir (geralmente antes ocorre o abandono do processo psicoterápico), resgatar a auto-estima; quebrar sua identificação com a sombra; rever sua persona (geralmente vinculada com um “sofredor profissional”); resgatar seu contato com o Self de forma positiva (quebrar a estrutura da imagem divina de punidor); Tirar a potencia de Anima/Animus exacerbada (aspecto artístico e teatral da patologia).

 

Celso Cruz

 

 

Grupo Apoema

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7 Responses to O Auto-Boicote

  1. Hilton says:

    Olha me identifiquei com muitas dessas coisas que você escreveu… infelizmente… então será que deveria procurar ajuda profissional? ou e possível dar a volta por si só? to tentando achar a formas simples de viver ^^ mais num ta sendo simples não rss

  2. Hugo says:

    A um pouco mais de um ano fui diagnosticado com Transtorno de Défict de Atenção. Quando descobri, achei que todos os meus problemas estariam resolvidos. Estou fazendo tratamento com ritalina (com acompanhamento de um psiquiatra), e paralelamente tinha um acompanhamento de uma psicologa especializada em tratamento portadores de DDA. Acabei procurando outra psicologa (tem menos de um mês), e na última consulta ela levantou essa hipotese de auto-boicote.

    Sabem de casos de pessoas que foram diagnosticadas com DDA e possuem esse perfil de auto-boicote? O auto-boicote poderia ser fruto do DDA, ou na verdade não existe DDA, apenas auto-boicote?

    Obrigado!

  3. eliete says:

    Parabens pelo artigo. Gostaria de salietar que este assunto e bastante vasto ,… e como sugestão seria muito bom que escrevesse mais , …
    Um abraço,
    eliet
    OBS: Se puderes me indicar algum livro sobre o assunto agradeceria

  4. admin says:

    Eliete,

    Estarei escrevendo mais sobre o Auto-boicote.

    Por agora não tenho uma indicação literária onde referencia especificamente o assunto, existem livros que falam sobre depressão, transtorno bordeline e outros, que apontam para o auto-boicote. Mas estarei buscando e qualquer novidade entro em contato com você.

    Obrigado por participar e nos ajudar.

    Atenciosamente,

    Celso Cruz

  5. Patricia says:

    Olá, fiquei impressionada com o tema, pois tenho um irmão que apresenta EXATAMENTE os mesmos sintomas descritos.
    Desde que ele era pequeno, já identificamos um comportamento com algum tipo de distúrbio, mas demoramos a ter certeza de que era um problema mais sério. Hoje ele já é um homem adulto, mas completamente destruído. Como não tem nenhuma condição financeira fica mais difícil encontrar tratamento. Será que em hospitais públicos ele encontraria um tratamento para isto?? Outro problema é ele aceitar que precisa ser tratado(isso é o mais difícil), Obrigada…

  6. admin says:

    Existem tratamentos em hospitais públicos.

  7. Flora says:

    Ola Celso,
    Moro em Campinas, fiz 6 anos de terapia e acho que nada mudou… Continuo me identificando com muitos exemplos que vc deu, e pior, por mais conciente que seja, nao consigo mudar minha atitude. As vezes acho que uma boa terapia de choque ia me ajudar muitos…risos.
    Queria saber se conhece algum psicoterapeuta, ou alguem aqui que pudesse me ajudar.
    Muito obrigada!

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