Mesmo ela, a Chapeuzinho Vermelho, tem de enfrentar o assédio do lobo predador em sua estrada solitária. Viver num mundo cheio de inimigos malocados, prontos para dar cabo da gente, é uma carga que torna a vida uma luta e tanto. Se eu não vencer os obstáculos e seguir em frente, posso perder o emprego, me tornar um fracassado e ser encaminhado para alguma entidade solidária onde ajudarão a superar “bloqueios” e “fixações” psicológicas. Para existir, tenho de desenvolver, subir, defender, segurar, pois esta é a definição heróica de existência. Isso não é muito divertido – e quando Chapeuzinho Vermelho pára para colher flores para a vovozinha, eis que surge o lobo.
A esta definição paranóica da vida – a vida como luta, competição pela sobrevivência, o outro como aliado ou como inimigo, torna-a fatalista. “Já que o ambiente está cheio de lobos, temos que nos organizar em grupos para sobreviver” – alguém diz. Assim, a empresa se torna hostil, e o “corporativismo” vingativo e egoísta, onde se você não está do meu lado, está do lado deles, fica claro e absurdo. As pessoas querem jogar, mas não tem competências para jogar um bom xadrez, pois todo jogo tem suas regras e éticas. Fica nesta brincadeira infantil do TOM e CHERRY. No começo é até divertido, mas depois se torna cansativo e insuportável.
E o melhor de tudo, CADÊ A EMPRESA? Já que está correndo atrás dos TOMs, os CHERRYs não tem tempo de trabalhar para a empresa, não realizando suas atividades adequadamente e o melhor de tudo ainda, coloca as desculpas e justificativas nos TOMs de não ter realizado suas obrigações. É, alguém tem que carregar o fardo, que sejam os inimigos. Mas, quem são os CHERRYs e quem são os TOMs? Está ai uma grande dúvida.
Mas ficamos por aqui.
Grupo Apoema
Celso Cruz
Muito interessante seu texto, essa “luta” que travamos diariamente essa paranoia, as vezes (sempre)sinto caminhando sobre a tênue barreira que separa a loucura da sanidade.
Diante dessas batalhas, e de tantos outros “turbilhões de emoções” tão simplismente humanas, sei que já criei bloqueios, verdadeiras muralhas. Mas a guerra continua, de uma forma ou de outra. Dessa maneira, só resta tentar ver o que tem no fim da toca do coelho.